Dentro das minhas diversas pesquisas pelo mundo do Rock e de suas vertentes mais alucinadas, a terra dos vikings sempre me exerceu um fascínio, provavelmente pela minha raíze lituana, um dos paises banhados pelo mar Báltico, e as historias que meu pai me contava quando criança sobre os bárbaros nórdicos, suas conquistas sanguinárias e seus deuses da Valhalla, como Thor e Odin.
Porém, durante muito tempo tudo era uma incógnita, apenas alguns nomes, pouco conhecimento e muito poucos sons, mas em uma bela manhã de sol me deparei com o então recém lançado livro do Fabio Massari sobre o rock islandês, ‘Ruma a Estação Islândia’, dei uma folhada em suas paginas e verifiquei que ele não falava somente de Björk e Sugar Cubes, mas fazia uma pesquisa vasta que abrangia os anos 60 e 70, ali conheci um pouco da historia do rock islandês e nomes como Tobruk, Icecross e Svanfridur, que entraram imediatamente para o topo da minha Wanting List, além de me motivar a pesquisar as bandas dos outros paises escandinavos, Dinamarca, Suécia, Finlândia e Noruega. A busca começou.
Meu primeiro achado foi o disco homônimo do Icecross de 1973, quando resolvi dar uma olhada na seção de CDs da Nuvem Nove, algo que normalmente eu não faço, pois me dedico somente a colecionar LPs, mas quando vi o Icecross na prateleira (edição da Italiana Dodô, distribuído pela Comet Records) não resisti e o arrematei. Cheguei a minha casa ansioso para escutar o super comentado e obscuro Hard Progressivo pagão do Icecross, fiquei chocado com a crueza, a força e as letras alucinadas anti-igreja da banda, ‘Jesus Freaks’, ‘1999’ e a balada ‘Sad Man’s Story’ me fizeram a cabeça de bate e pronto, escutei o disco inteiro varias vezes seguidas e apesar da gravação tosca onde se percebe que foi tudo gravado em um só take, pois os erros de gravação estão lá, adorei o disco. Este disco voltou definitivamente minha atenção para os sons escandinavos e mais uma vez fui de cabeça, pois este primeiro impacto foi absolutamente devastador. E então veio uma sucessão de bandas maravilhas, Elonkorjuu, Svanfridur, Flax, November, Polyfeen, entre algumas outras que consegui encontrar somando cerca de uma duzia de nomes.
Para falar um pouco dos discos, vou fazer uma listinha com algumas indicações do que considero de melhor em minha coleção de escandinavos:
Elonkorjuu – Harvest Time: A banda foi formada em Pori, Finlândia em 1969 e lançou seu primeiro disco, ‘Harvest Time’, em 1972, contando com canções em inglês, e com um som que mistura Hard Rock e Rock Progressivo, Hard Progressivo por definição o disco alterna momentos de peso e viagens mais progressivas, aonde aparecem Hammond, flautas e o fantástico trabalho de guitarra de Jukka Syrenius. músicas como ‘Unfeeling’, ‘Sword’ e ‘The Ocean Song’ valem o disco. Relançamento pelo selo Ambersound Room.
Svanfridur – What’s Hidden There?: A banda vem da Islândia, e possui este único lançamento datado de 1972, porém gravado em Londres em 1971. O disco ‘What’s Hidden There?’ é um petardo do Rock Progressivo do inicio dos 70s, muito mais sutil que o ‘Elonkorjuu’, todo cantado em inglês e com um som que conta com a presença de piano, moog e violino. Apesar das musicas não serem longas, demonstram a grande habilidade e inventividade de seus músicos. As canções do disco apresentam diversas facetas da banda, ‘The Woman Of Your Day’ e ‘What Now You People Standing By’ são mais rock e menos progressivas, ‘Finido’ é mais progressiva do que rock, com introdução de violino e totalmente instrumental. Todas as faixas merecem atenção, pois todas são acima da media. Relançamento pelo selo Ambersound Room.
Flax – One: A banda é norueguesa e lançou em 1976 seu disco ‘One’ pelo mitológico selo inglês Vertigo, sendo o único lançamento escandinavo do selo pelo o que sei. Com um Heavy Progressivo, muito bem produzido, todo cantado em inglês, cheio de Mellotron e com um estonteante trabalho de guitarra o disco surpreende. Canções como ‘Pain In The Arse’ e ‘Clever Man’ demonstram o lado mais pesado do disco, já ‘Hell on Earth’ e ‘Mirrors’ o lado mais progressivo. Relançamento pelo selo Pan.
November – En Ny Tid Är Här: Os suecos do ‘November’ lançaram seu primeiro disco ‘En Ny Tid Är Här’ em 1970. A banda sediada em Estocolmo estreou em 1969 abrindo, nada mais nada menos, para o Fleetwood Mac e um concerto na cidade de Gotemburgo. Diferente das bandas que citei anteriormente o ‘November’ canta suas canções em seu próprio idioma e arrebentam tocando um Hard Rock pesado de pegada Blues, com algumas passagens acústicas e algumas flautas, mas sem nunca perder a peso. Destaco neste disco a soberba Power Ballad ‘Mount Everest’ e as pesadas ‘Varje Gång Jag Ser Dig Känns Det Lika Skönt’ e ‘Ta Ett Steg I Sagans Land’, ambas maravilhosas e com nomes impronunciáveis. Os três discos do November foram relançados pelo selo Sonet e em 1993 foi lançado um disco ao vivo pelo selo Mellotronen.
Polyfeen - Langt ude I Skoven: Esta banda dinamarquesa nunca chegou a lançar um album em sua época, porém é um dos únicos dois albuns de bandas dinamarquesas que consegui encontrar, o outro é o Facing Morning do Fleur De Lis, e este é o meu predileto entre os dois. Este disco traz uma gravação ao vivo de 1972 desta banda de cinco elementos da pequena cidade de Næstved, extremamente psicodélica/proto-progressiva e cantando em dinamarquês a qualidade musical surpreende apesar da gravação tosca. As faixas ‘Leve Livet’ e ‘Polyfeen’ são os destaques do album com uma pegada mas Progressiva, com passagens de teclado e uma levada mais viajante. O disco foi lançado pelo pequeno selo Opheus.