14.5.06

Quanto um disco pode valer?

Pesquisando no ebay, encontrei este compacto de Timmie Willians, um obscuro cantor de Northen Soul muito exaltado pelos Mods do passado, com as canções ‘Competition’ e ‘Wipe Away Your Tears’, lançado pelo selo Mala, não consegui descobrir o ano. Dé uma olhada na evolução das apostas, sendo que o leilão ainda não acabou e só se será encerrado em ‘May-16-06 12:47:41’.

Valor Data

US$ 2,025.00 May-13-06 06:59:22
US$ 2,000.00 May-11-06 19:25:08
US$ 2,000.00 May-12-06 01:51:56
US$ 1,700.00 May-10-06 16:08:07
US$ 1,600.00 May-11-06 19:22:41
US$ 1,301.00 May-11-06 16:30:12
US$ 1,200.00 May-11-06 16:29:52
US$ 1,061.00 May-10-06 22:59:30
US$ 1,011.00 May-09-06 14:47:30
US$ 900.00 May-10-06 13:19:16
US$ 300.00 May-10-06 05:36:38
US$ 250.00 May-10-06 05:36:24
US$ 200.00 May-10-06 05:36:07
US$ 130.00 May-10-06 05:35:47
US$ 120.00 May-10-06 05:35:32
US$ 110.98 May-09-06 14:50:06
US$ 99.99 May-09-06 14:47:00

Isso me leva a refletir quanto alquém pode estar disposto a pagar em um disco, neste caso um compacto, quanto isso não é um fetiche ou serão essas duas música tão boas assim? Será que não seria mais fácil baixar estas duas músicas na internet ou adquirir uma das várias coletâneas de northen soul onde estas duas músicas estão inseridas? Como será que um disco pode vir a valer tanto? O mercado de discos pode ser comparado ao mercado de arte ou de antiguidades? Essas perguntas ficam no ar, pois mão tenho um resposta, pois se dinheiro não fosse problema minha coleção de vinis seria varias vezes maior.

Clique na imagem do disco para ir a página do ebay.

13.5.06

O Hard, o Progressivo e a Psicodelia Escandinava

Dentro das minhas diversas pesquisas pelo mundo do Rock e de suas vertentes mais alucinadas, a terra dos vikings sempre me exerceu um fascínio, provavelmente pela minha raíze lituana, um dos paises banhados pelo mar Báltico, e as historias que meu pai me contava quando criança sobre os bárbaros nórdicos, suas conquistas sanguinárias e seus deuses da Valhalla, como Thor e Odin.

Porém, durante muito tempo tudo era uma incógnita, apenas alguns nomes, pouco conhecimento e muito poucos sons, mas em uma bela manhã de sol me deparei com o então recém lançado livro do Fabio Massari sobre o rock islandês, ‘Ruma a Estação Islândia’, dei uma folhada em suas paginas e verifiquei que ele não falava somente de Björk e Sugar Cubes, mas fazia uma pesquisa vasta que abrangia os anos 60 e 70, ali conheci um pouco da historia do rock islandês e nomes como Tobruk, Icecross e Svanfridur, que entraram imediatamente para o topo da minha Wanting List, além de me motivar a pesquisar as bandas dos outros paises escandinavos, Dinamarca, Suécia, Finlândia e Noruega. A busca começou.

Meu primeiro achado foi o disco homônimo do Icecross de 1973, quando resolvi dar uma olhada na seção de CDs da Nuvem Nove, algo que normalmente eu não faço, pois me dedico somente a colecionar LPs, mas quando vi o Icecross na prateleira (edição da Italiana Dodô, distribuído pela Comet Records) não resisti e o arrematei. Cheguei a minha casa ansioso para escutar o super comentado e obscuro Hard Progressivo pagão do Icecross, fiquei chocado com a crueza, a força e as letras alucinadas anti-igreja da banda, ‘Jesus Freaks’, ‘1999’ e a balada ‘Sad Man’s Story’ me fizeram a cabeça de bate e pronto, escutei o disco inteiro varias vezes seguidas e apesar da gravação tosca onde se percebe que foi tudo gravado em um só take, pois os erros de gravação estão lá, adorei o disco. Este disco voltou definitivamente minha atenção para os sons escandinavos e mais uma vez fui de cabeça, pois este primeiro impacto foi absolutamente devastador. E então veio uma sucessão de bandas maravilhas, Elonkorjuu, Svanfridur, Flax, November, Polyfeen, entre algumas outras que consegui encontrar somando cerca de uma duzia de nomes.

Para falar um pouco dos discos, vou fazer uma listinha com algumas indicações do que considero de melhor em minha coleção de escandinavos:

Elonkorjuu – Harvest Time: A banda foi formada em Pori, Finlândia em 1969 e lançou seu primeiro disco, ‘Harvest Time’, em 1972, contando com canções em inglês, e com um som que mistura Hard Rock e Rock Progressivo, Hard Progressivo por definição o disco alterna momentos de peso e viagens mais progressivas, aonde aparecem Hammond, flautas e o fantástico trabalho de guitarra de Jukka Syrenius. músicas como ‘Unfeeling’, ‘Sword’ e ‘The Ocean Song’ valem o disco. Relançamento pelo selo Ambersound Room.

Svanfridur – What’s Hidden There?: A banda vem da Islândia, e possui este único lançamento datado de 1972, porém gravado em Londres em 1971. O disco ‘What’s Hidden There?’ é um petardo do Rock Progressivo do inicio dos 70s, muito mais sutil que o ‘Elonkorjuu’, todo cantado em inglês e com um som que conta com a presença de piano, moog e violino. Apesar das musicas não serem longas, demonstram a grande habilidade e inventividade de seus músicos. As canções do disco apresentam diversas facetas da banda, ‘The Woman Of Your Day’ e ‘What Now You People Standing By’ são mais rock e menos progressivas, ‘Finido’ é mais progressiva do que rock, com introdução de violino e totalmente instrumental. Todas as faixas merecem atenção, pois todas são acima da media. Relançamento pelo selo Ambersound Room.

Flax – One: A banda é norueguesa e lançou em 1976 seu disco ‘One’ pelo mitológico selo inglês Vertigo, sendo o único lançamento escandinavo do selo pelo o que sei. Com um Heavy Progressivo, muito bem produzido, todo cantado em inglês, cheio de Mellotron e com um estonteante trabalho de guitarra o disco surpreende. Canções como ‘Pain In The Arse’ e ‘Clever Man’ demonstram o lado mais pesado do disco, já ‘Hell on Earth’ e ‘Mirrors’ o lado mais progressivo. Relançamento pelo selo Pan.

November – En Ny Tid Är Här: Os suecos do ‘November’ lançaram seu primeiro disco ‘En Ny Tid Är Här’ em 1970. A banda sediada em Estocolmo estreou em 1969 abrindo, nada mais nada menos, para o Fleetwood Mac e um concerto na cidade de Gotemburgo. Diferente das bandas que citei anteriormente o ‘November’ canta suas canções em seu próprio idioma e arrebentam tocando um Hard Rock pesado de pegada Blues, com algumas passagens acústicas e algumas flautas, mas sem nunca perder a peso. Destaco neste disco a soberba Power Ballad ‘Mount Everest’ e as pesadas ‘Varje Gång Jag Ser Dig Känns Det Lika Skönt’ e ‘Ta Ett Steg I Sagans Land’, ambas maravilhosas e com nomes impronunciáveis. Os três discos do November foram relançados pelo selo Sonet e em 1993 foi lançado um disco ao vivo pelo selo Mellotronen.

Polyfeen - Langt ude I Skoven: Esta banda dinamarquesa nunca chegou a lançar um album em sua época, porém é um dos únicos dois albuns de bandas dinamarquesas que consegui encontrar, o outro é o Facing Morning do Fleur De Lis, e este é o meu predileto entre os dois. Este disco traz uma gravação ao vivo de 1972 desta banda de cinco elementos da pequena cidade de Næstved, extremamente psicodélica/proto-progressiva e cantando em dinamarquês a qualidade musical surpreende apesar da gravação tosca. As faixas ‘Leve Livet’ e ‘Polyfeen’ são os destaques do album com uma pegada mas Progressiva, com passagens de teclado e uma levada mais viajante. O disco foi lançado pelo pequeno selo Opheus.

7.5.06

Discos da Ilha 2

Discos da Ilha 2 (Dust - Hard Attack - 1972 / Judas Priest – Sad Wings Of Destiny - 1976)

Estava pensando novamente sobre os tais Discos da Ilha, os tais 10 discos e percebi que o único jeito de fazer esta lista e separar os prediletos da casa, uns 100 discos, depois decidir por sorteio, mas como viajo pouco de avião e não costumo me aventura além dos limites da megalopole o lance é falar daqueles discos que já fizeram parte da lista dos 10 nós ultimos anos. São discos que eu adoro, por diversos motivos.

Esse aqui procurei muito e acabei por encontra-lo em um sábado chuvoso, Dust – Hard Attack (1972). O Dust ficou muito conhecido por ser a banda anterior do Marc Ramone, então Marc Bell, que com apenas 17 anos, está destruindo a bateria, num estilo muito diferente do qual o fez famoso nos Ramones.

Hard Attack é o segundo e último disco desta banda de New York, o primeiro album se chama Dust e também é muito bom, ambos os albuns foram lançados pelo selo Kama Sutra, mas este aqui é uma das pedras fundamentais do hard rock pesadão que vai culminar no heavy metal, porém o disco alterna porradas e baladas épicas, como em ‘Thusly Spoken’ e seus arranjos com violinos e ‘How Many Horses’, porém os destaques do disco são as pesadissimas ‘Suicide’ e ‘Learning To Die’ e a sensacional ‘Pull Away / So Many Times’ que abre o disco.

A banda conta também com Kenny Aaronson, que é um baxista sensacional que depois do fim da banda foi tocar no Stories, agora só para cutucar, aquele baxista firulento do ‘Manowar’ deve adorar esse cara, pois cópia o som dele desde o inicio da banda. Na guitarra e na voz está Richie Wise que depois virou produtor e em conjunto com o produtor do disco Kenny Kerner produziu os dois primeiros discos do Kiss, além da banda do ex-colega de Dust, o Stories.

O segundo disco do qual vou falar e que está na minha lista da ilha há alguns anos, é o lendário segundo disco do cultuadissimo Judas Priest – Sad Wings Of Destiny (1976), originalmente lançado pelo pequeno selo Gull.

Apesar da idade do disco, e de não ser tão famoso quanto o album British Steel (1980) que levou o Judas ao sucesso global, ele contém os eternos clássicos ‘Victim Of Changes’ e ‘Ripper’, além da balada ‘Epitaph’ e dos petardos pesadissimos ‘Genocide’, ‘Island Of Domination’ e ‘Tyrant’.

A frente de seu tempo, neste disco o Jusdas Priest antecipa o NBWOHM (New Britsh Wave Of Have Metal) que levaria o Heavy Metal as paradas de sucesso do mundo todo, porém o Judas não fez o sucesso que merecia com este disco.

A banda aqui com a clássica formação, Rob Halford, KK Downing, Glenn Tipton e Ian Hill, e mais o baterista Alan Moore, transformam o Twin Guitar criado pelo Wishbone Ash em Heavy Metal ‘moderno’, com vocais operisticos, levadas de guitarra cavalgantes e muitos solos de guitarra, que alguns anos depois seria exaltivamente ‘copiados’ pelas bandas britânicas do NBWOHM como o Iron Maiden.

O Judas Priest continua na ativa, porém a vitalidade, inventividade e energia daqueles anos se perdeu a muito tempo, do meu ponto de vista o último bom album e que vale a pena ser escutado é o Defenders Of Faith (1984). O final dos anos 80 foram terriveis para o Judas com discos horrorosos como Turbo e Raw Power, depois disso nunca mais comprei nenhum disco do Judas, muito menos o Painkiller, que contrariando muitos fans da banda, acho que este album não é Judas Priest, mas sim pastiche de Trash Metal ou de alguma coisa do tipo. Séria melhor se eles tivessem acabado com a banda em 1984 e nunca mais voltado.

29.4.06

MUTANTES TOUR 2006 REPERTÓRIO

REPERTÓRIO

DOM QUIXOTE
CAMINHANTE NOTURNO
AVE GENGIS KHAN
TECHNICOLOR
VIRGINIA
CANTOR DE MAMBO trocar para violão
EL JUSTICIERO
BABY
TOP TOP
DESCULPE BABE
DIA 36 trocar para violão
FUGA Nº II
LE PREMIER BONHEUR DU JOUR
2001
AVE LUCIFER
BALADA DO LOUCO
ANDO MEIO DESLIGADO
CABELUDO PATRIOTA trocar para violão
MINHA MENINA
BAT MACUMBA
PANIS ET CIRCENCIS

fonte: Sérgio Dias

14.4.06

MICO MUNDIAL OU RETORNO TRIUNFAL ???

Matéria publicada na Folha em 14.04.06

Banda tem shows agendados em Londres, Nova York e Los Angeles; cantora está confirmada só na primeira apresentação sem Rita, Mutantes voltam com Zélia Duncan

RONALDO EVANGELISTA COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Tudo começou com um boato no começo do ano. Os Mutantes voltariam para um show em 22 de maio dentro de um evento dedicado à Tropicália (onde tocam também Gal Costa, Tom Zé, Gilberto Gil e Caetano Veloso) no Barbican, importante galeria e casa de espetáculos com capacidade para 2.000 pessoas em Londres. Poucos acreditaram, mas mais informações foram se confirmando: os irmãos Sérgio e Arnaldo Dias Baptista haviam realmente se reencontrado depois de anos sem tocar juntos. O baterista original Dinho também estava a bordo. O baixista Liminha e a cantora Rita Lee estavam fora.Novos shows foram marcados, dessa vez nos Estados Unidos (21 de julho em Nova York, 23 de julho em Los Angeles), e novos boatos correram, em especial sobre quem seria a cantora do grupo. Fernanda Takai e Rebeca da Matta foram cotadas, mas desmentidas. Até que, na quarta passada, a própria Rita Lee entregou o furo à imprensa: Zélia Duncan ocuparia seu antigo posto como cantora nos Mutantes versão 2006. Por telefone, Sérgio Dias conversou com a Folha sobre a volta. "É uma honra poder dar a primeira entrevista para um jornalista brasileiro como o Sérgio Dias dos Mutantes", já declarou ele, de saída. Animado com a volta, Sérgio contou que conversou com Rita e ela foi "muito querida", apesar de não estar interessada em participar dos Mutantes. Procurada pela reportagem, Rita não respondeu até o fechamento desta edição. Sérgio comentou ainda que seu irmão Arnaldo "é um gênio" e revelou o repertório que está ensaiando com a banda (veja ao lado) e a atual formação do grupo. Além dele próprio na guitarra, Arnaldo no teclado e Dinho na bateria, a banda é formada por Vinicius Junqueira no baixo (da própria banda solo de Sérgio), Henrique Peters (da banda curitibana Black Maria) no outro teclado, o multiinstrumentista de 21 anos Vitor Alexandre, tocando flauta, teclado, violão, guitarra e contrabaixo com arco, a percussionista Simone Soul e os backing vocals Fábio Reco e Esméria Bulgari. Além da participação especial de Zélia Duncan, que está confirmada apenas para o primeiro show, em Londres."A gente se conhece há pouco tempo, mas foi como se fossem 50 encarnações juntas", contou Sérgio. "Quando sugeri a Zélia para cantar com a gente, todo mundo comentou que a voz dela é muito diferente, é grave, mas eu disse que botava fé. No fim, quando ela veio tocar, foi maravilhoso. "Zélia, de seu lado, comentou a emoção, mas deixou claro que não quer comparações com Rita Lee: "Não sou uma substituta, isso seria ridículo e perigoso para mim. Me sinto uma representante". Contou também que, logo depois do primeiro ensaio, ligou para Rita. "Ela tinha de ser a primeira a saber e é de quem realmente me importa a opinião. Eu lhe disse o quanto aquilo foi forte para mim, justamente por sentir tanto a presença dela, e Rita abençoou geral e só comentários positivos foram feitos. Os Mutantes me chamaram, Rita Lee abençoou. Quem não aceitar, que atire a primeira pedra! Da qual eu vou desviar, claro. "Expectativas naturalmente, as expectativas sobre a volta dividem opiniões. De um lado, os animados com a oportunidade de ver a importante banda tocando de novo. De outro, os receosos de um mico histórico e uma queimação de filme mundial do mito dos Mutantes. "Essa volta é uma felicidade para o mundo, o mundo todo vai ficar mais alegre. É uma pena que a Rita não vá participar, mas é uma alegria que a Zélia vá", comentou Tom Zé. Manoel Barenbein, produtor do primeiro disco do grupo, é um pouco mais reticente. "Sem a Rita, não é Mutantes, como não seria sem Arnaldo ou sem Sérgio. Mutantes são os três, a falta de qualquer um deles não diz o que eram os Mutantes", opina. "Se eu gostaria que a Rita estivesse? Lógico que eu gostaria. Que o Liminha estivesse? Com certeza. Mas, se eles não podem agora, o que eu vou fazer? Não vou parar só porque eles não podem", diz Sérgio, encerrando o assunto. Sobre planos de tocar no Brasil, Sérgio diz apenas que não pensam nisso: "A gente está tocando e vai ver o que a vida traz". Mas, quando fala sobre compor novas músicas, gravar discos e, quem sabe, até contar com a participação de Rita em um show futuro, é otimista. "Por que não?", pergunta. Se a banda conversou sobre o que vai acontecer depois da turnê pelo exterior? "Acho que é tão claro e óbvio para mim que a gente vai continuar tocando que não precisa ter conversa, né?"

Tim Maia Racional em CD !!!

Matéria publicada na Folha em 14.04.03

Disputado por fãs e colecionadores, disco é relançado pela Trama Tim "Racional", agora em CD, sobrevive à viagem mística.

MARCOS AUGUSTO GONÇALVES EDITOR DA ILUSTRADA

Em 1975, Tim Maia, já um cantor e compositor de sucesso, lançou um vinil esquisito. As letras das canções usavam vocabulário esotérico, falavam em "imunização racional" e recomendavam a leitura do "livro de Deus" - o "Universo em Desencanto". O disco estava na contramão. Para o público de MPB, mesmo aquele menos dogmático e mais esperto, que se interessava pela movimentação "black" de Tim, Cassiano e Hyldon, a pregação mística soava como um despropósito. Essa percepção era possivelmente acentuada pelo fato de o país viver sob censura e regime militar. Se havia uma demanda por "mensagens", ela estava voltada para a semântica do protesto político, que se especializava em driblar censores com truques e artifícios poéticos, exemplarmente representados em parte da obra de Chico Buarque. Havia, além disso, uma concorrência fortíssima, fosse na música mais politizada ou não. Àquela altura - já se vão 30 anos -, estavam em plena forma, além do próprio Chico, nomes como Caetano, Gil, Jorge Ben, Milton, Raul Seixas, Rita Lee, Novos Baianos etc. Acrescente-se o fato de o disco ter tido uma tiragem pequena e ter sido logo renegado pelo autor - e fica fácil entender por que ninguém deu muita bola para a viagem do músico carioca. Mas havia um detalhe fundamental: quem colocasse o LP "Tim Maia Racional - Volume 1" no toca-disco e possuísse ouvido para ir além da papagaiada mística perceberia que se tratava de uma jóia musical." O Tim estava no auge", lembra o trombonista Serginho, da banda que viria a ser posteriormente celebrizada com o nome de Vitória Régia. Aos 32 anos, longe da bebida, do fumo e das drogas, o cantor estava com a voz tinindo, límpida e poderosa. As canções do disco, agora relançado em CD pela Trama, haviam sido escritas para um outro projeto. Fariam parte de um vinil a ser lançado pela RCA. Catequizado pela seita, Tim foi à gravadora e mudou o canal de voz das fitas, introduzindo novas letras. A RCA não gostou, e o disco acabou saindo por um selo independente, o Seroma - que reúne as iniciais de Sebastião Rodrigues Maia, o nome de batismo da figura. Segundo Serginho do Trombone, o "Universo em Desencanto" foi apresentado a Tim pelo músico Tibério Gaspar. "O pai dele, o professor Gaspar, era da seita. Outros músicos, como o João Roberto Kelly, também aderiram", conta. Ele lembra que Tim passou a desprezar tudo o que fosse considerado "supérfluo": "Ele levou a gente ao apartamento dele em Copacabana e pediu para tirarmos tudo o que ele dizia ser supérfluo. Até o forro de gesso do teto a gente arrancou". A qualidade musical do disco e a dificuldade de encontrá-lo o transformaram num produto disputado por fãs e colecionadores. Não são poucos os que têm cópias piratas, feitas pelo amigo do amigo ou baixadas da internet. "Tim Maia Racional" também cruzou fronteiras e chamou a atenção de músicos estrangeiros - entre eles, David Bowie, que, segundo dizem, adorou o que ouviu. O CD, de fato, é ótimo. Nem todas as letras são intragáveis. Há algumas menos contaminadas pela pregação e outras que, mesmo "racionais", podem ser relidas, hoje, de maneira divertida. Mas o verdadeiro conteúdo do CD está no som, na voz, no incrível talento antropofágico desse incontrolável, genial e generoso músico que foi Tim Maia.

28.3.06

Cachorro Grande no Circo Voador - RJ - 25/03/06

Amigos, ontem fui ao Circo Voador para ver o Cachorro Grande. QUE PUTA BANDA BOA DO CARALHO!!!! Estou totalmente rouco e ainda um pouco surdo. Os caras fazem no palco tudo aquilo que eu sempre quis ver: rock'n roll vintage... puta som! Todos os músicos são excepcionais. O guitarrista é realmente fodão. E o baixista é inacreditavelmente bom! Ele faz aquelas linhas melódicas de baixo que a gente adora, estilo Beatles-Kinks... O vocalista é um porra louca mais porra louca do que eu imaginava (teve uma hora que ele entrou no palco girando uma lata de cerveja jogando cerveja em tudo ao redor, incluindo os amplificadores... doido doido). Puta som. E o público estava muito alucinado também - sim, parece existir um público rock'n roll aqui no Rio!

Assisti tudo bem perto do palco, coisa de uns 3 metros de distância. Inclusive por isso ainda estou meio surdo, amanhã passa. Vou procurar pelos próximos shows deles. Eu nunca tinha assistido um show onde a sonoridade era aquela de rock'n roll vintage, com momentos de jams improvisadas loucas e cheias de solos de teclado, bateria, baixo e guitarra. E, sim, todos de gravatas, bonés, uniformes, essas coisas. São uns figuras. E quase sempre com cigarros no canto da boca. O tecladista, tocando um rhodes legítimo (aquele teclado que foi usado e abusado em gravações de época, como no Let It Be dos Beatles). Os caras realmente são Cachorro Grande. Coisa séria...

E antes teve uma banda que merece atenção: Canastra.
Procurem shows desses caras, são divertidíssimos e o som é muito bom também. Achei o seguinte link desses caras: http://musica.terra.com.br/interna/0,,OI495842-EI1267,00.html

Ah, Cit, ouvi dizer que o Sérgio Dias irá produzir o próximo disco do Casa Flutuante. Você está sabendo alguma coisa sobre isso???!!!

Abraços somatopsicopneumáticos,

Maurão analfomegabetista